quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Tabu, vida amorosa / deficiente

Lembro-me de ouvir cada coisa…. Nós mulheres com deficiência somos tratadas e vistas como assexuadas. Nesse texto busco quebrar alguns tabus e contar mais uma parte da minha vida.


Minha irmã ria quando me perguntava como ia beijar. Meu pai falava coisas filosóficas as vezes, um dia disse: “As meninas buscam sair com outras mais bonitas para se sobressaírem e assim namorarem, por isso não te chamam para sair. ” Essa era a conversa quando tinha 17 anos. Achei que ia ter que tirar minha virgindade com um garoto de programa, pois não queria morrer sem provar o tão maravilhoso sexo. Como mulher é muito mais misterioso e oculto esse assunto.
Sempre me senti muito insegura por algumas coisas que escutava da minha família.


Na escola sempre tive mais afinidade com os homens, o que era motivo de zoação: “A Pri gosta dele”. Muitas vezes a amizade acabava por conta dessas piadinhas. As vezes gostava de um garoto e falava para ele, mas no mundo adolescente isso é muito difícil. Passei a mentir que tinha namorado no segundo grau. Levava a foto do meu primo que também tem paralisia cerebral. Assim, as meninas paravam de zoar as minhas amizades com os meninos.



No mundo virtual vivi dois amores, várias aventuras e frustrações. Um cara foi leviano comigo. Ele tinha paralisia cerebral e morava em Porto Alegre, falava que gostava de mim e um minuto depois já dizia que era brincadeira. Sofri demais. O outro me mandava cartas e presentes. Era só um tipo de amizade e quando me contou que ia se casar disse que eu era mais gostosa do que sua noiva... Já um amigo de escola falou que se eu fosse “normal” seria um furacão. Pensei: “não sou “normal? ”, “Será que não vou encontrar ninguém que goste de mim como sou? ”. Entrava nesses sites de namoro apenas para rir, pois tinha medo e prometi a mim mesma que só iria fazer alguma loucura depois dos 35 anos, e até lá ia esperaria meu sapo encantado. Acreditem ele apareceu! Conto um pouco aqui sobre isso: Doidura e doçura de amor.



Em 2010, tinha desistido do cara de Porto Alegre e como diz a música: “Vivia em paz na solidão…”. Conheci o Glauber em Cabo Frio e como sempre eu pensava: “Vou ver qual é…”,  “Não vai dá em nada”, “Em um mês ele some”. Porém, vi que Glauber não brincava ao falar: “Eu gosto de você! ”. Ele se tornou meu namorado por 5 longos anos. No início do namoro enfrentei uma mega luta para deixar o rapaz vir me visitar. Minha mãe, zelando por mim, dizia que ele tinha que dormir no hotel. Porém, ele não podia pagar. Agradeço minha tia por deixado ele dormir em sua casa somente uma noite, pois assim a parede de zelo se quebrou. Lembro da primeira vez que fomos passear sozinhos no shopping, minha mãe perguntou se ele iria me dá comida na boca. Pensei: “Claro, é meu namorado! ”. Me pergunto até hoje qual era a preocupação dela com relação a esses detalhes.



Com quase um ano de namoro, conversei com minha mãe para deixar que tivéssemos nossa primeira relação sexual. Falava que era muito difícil para uma mãe, (entendo!) mas concordou e vimos a melhor oportunidade. Depois disso dormíamos juntos sempre. Minha mãe é bem incrédula com o amor. Muitas vezes falava coisas negativas sobre Glauber, mas ele se mostrou sempre seguro, ao dizer que me amava acima da minha insegurança e do que os outros pensavam. Para ele era boa de cama, até acho difícil… Nossa relação sexual era boa e com muito respeito e carinho. Não tem nada de misterioso e nem complicado no sexo quando há amor. Só não é como vermos na TV. Já não sei se eu beijo bem ou não, pois com toda minha limitação motora é diferente (acho!).  Mas para o Glauber parecia não ter nenhum problema. Gostava de me beijar e eu conseguia acompanha-lo, como todo mundo. Ele fazia de tudo para me ver feliz e era fofo.  Acabamos terminando por vários motivos, demos um tempo e só ele nos dirá para onde vamos.



Hoje só tenho a agradecer ao Glauber por me mostrar que tudo é possível, o que é o sexo, o que é o amor e por me ensinar a amar e ser amada. Minha eterna gratidão e amor ao meu primeiro namorado.

9 comentários:

  1. Com todo respeito, sem querer ser objetivo mas sendo... isso parece um conto de uma ex virgem cheio de contradições e citações ambíguas fora do contexto do que são verdadeiras relações sexuais. Um ano para saber o que é uma relação sexual? Sendo que temos inúmeras maneiras de burlar a superproteção ? "...Só não é como vemos na TV..." foi hilariante. Me explica, como é ter uma relação sexual por favor! Entendo que tenha as tuas limitações e tudo mais... e as respeito. Mas colocar o sexo assim de forma quase lúdica e romântica me parece um pouco mentirosa e não ajuda em nada! Por isto que os PCs sofrem preconceito, por não saberem lidar com estas -e outras- questões!

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    1. Por respeito a mim, minha mãe e minha avó demorei sim um ano para fazer sexo propriamente dito. Não entro em detalhes sobre como é sexo porque todo mundo sabe ou vai saber um dia que não é aquela dramatização teatral que imaginamos, pois vermos na TV. E para mim é muito difícil escrever esse tipo de coisa claramente... Depois meu blog é focado em mostrar que é possível, não importa como.

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    2. Se para você é difícil escrever claramente o que é sexualidade de fato por que escreveu este post? Ok... O blog é teu e você é livre para postar o que quiser, mas seja construtiva e fale claramente. Não torne a sexualidade dos PCs mais nebulosa do que é... Alias não é, nem nunca foi. É normal... normalíssima... Repleta de tesão e luxuria caricias e pegação, chupadas, lambidas e tudo mais... Não é só papai e mamãe ! Porque o povo tem este pudor ridículo em falar de sexo? Aff...

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    3. Você começa seu texto com todo o respeito e não se utiliza dele, principalmente quando a chama de "ex virgem" e vem com conversinha "Um ano para saber o que é uma relação sexual?", a propósito você já nasceu transando? Eu também não sabia que fazer sexo tinha prazo de validade mínimo é máximo. Enfim, acho que não notou que o objetivo do texto não era ela falar sobre sexo, mas sim sobre a vida amorosa dela. Sobre como ela quebrou esse tabu na família por estar com alguém. Esperava o que? Um lindo manual de como fazer sexo? Falando em lúdico, devia ter alguns desenhos e atividades para você se divertir, não? Reflita você! Porque ninguém o proíbe de dar sua opinião, mas faça com respeito (Olha ai sua palavrinha de novo).

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    4. Ao anônimo(a) aqui em cima. Quem me conhece sabe como sou extremamente educado. Outra coisa: Quem escreve em blog publico está sujeito a criticas... Sim, ela coloca de uma forma tão romantizada que, embora acredite, chega ser questionável a veracidade do fato consumado, SIM! Não faltei com respeito apenas fiz menção a narrativa que mais parece um diário de uma adolescente romântica e sonhadora. Aliás nem adolescentes atuais são mais assim. Realmente sexo não tem prazo máximo, mas você há de convir que 1 ano sem ter um toque uma caricia intima e nenhum impulso sexual de nenhuma das partes é no mínimo estranho. Ele não teve? Não, isto tá muito puro para o meu gosto, respeitoso demais! Estamos no século XXI e ela tem uma narrativa da metade do século passado. Isto não ajuda a desmistificar a sexualidade da Pessoa com Deficiência.

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    5. Anônimo 1, não vou escrever o que fiz ou o que deixei de fazer na cama. Demorei 1 ano para ter a relação sexual dita e não as outras coisas como beijos e caricias. Leia direito e se me conhece vai saber que rolou muitas coisas. Alias isso é bem claro pelo conteúdo do texto que não sou santa, até o meu desenho mostra isso. E quem tem namorado ou já namorou sabe bem o que rola, ainda mais o primeiro namoro. Não é meu objetivo falar o que fiz na cama. Se quiser te falo por e-mail...

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    6. Ok senhorita puritana. Vamos encerrar a discussão... Paz e bem.

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  2. Eita mais tem gente mordida!

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  3. Priscila,
    Seu texto está ótimo! Sincero e objetivo com o que é importante que as pessoas, principalmente as com deficiência, saibam. Quem quer saber detalhes que assista um filme porno, né? Kkkkk
    Continue contribuindo com seus textos e seus desenhos, para que as pessoas com deficiência acreditem que elas podem sim viver qualquer e todo tipo de experiência.

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